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E se esta frase não pudesse ser escrita, por as palavras não existirem? Como seria a vida sem a palavra? A palavra é uma expressão ínfima, mas é uma forma. Através da escrita, comunico o possível. O todo, está implícito na claridade que ilumina as palavras. Essa luz misteriosa, silenciosa, branca, onde está muito mais do que o que ficou escrito. As palavras são a chave desses segredos. Não me lês o pensamento, por isso, nunca saberei se o que lês, é o que te quero dizer. Talvez a vida sem as palavras, fosse um pouco mais simples. As palavras só servem para dizer as coisas da forma que eu penso que as vais entender, na forma possível de traduzir as minhas emoções. São um esforço, um exercício, do meu pensamento. Se as palavras não existissem, nada disto poderia ser escrito. Talvez as palavras não ensombrassem a claridade do meu pensamento?

Portfólio



Bailam-me por entre as mãos as tuas palavras.

Três pequenas folhas amarelas, que rasgaste de uma agenda, onde eu não estava programada.

Pego nelas, como quem pega em pétalas de uma flor, e lembro o timbre de quando as declamaste, a sorrir, com os olhos que pões quando olhas para mim.

Pouco lembro da construção do texto. Recordo a rima perfeita, a musicalidade das frases conjugadas com ternura.

Do poema, ficou-me na memória, a vibração. A emoção cristalina da palavra Amor, que vinda dos teus lábios, tem uma mímica que eu não conhecia.

Por entre as mãos, tento decifrar as palavras que desenhaste com jeito.

O meu pai tinha essa caligrafia, quando escrevia para a minha mãe.

Sigo com a ponta do olhar, os movimentos circulares da escrita, as pausas, os espaços, os pontos, as virgulas.

Leio claramente o que escreveste nas entrelinhas.

Quero escrever-te. Dizer-te algo que nunca ninguém tivesse dito.

Expressar por palavras, o que se passa no meu sangue, enquanto seguro a tua poesia de veludo.

Vasculho as palavras:

Flores e Estrelas. Montanhas e Prados. Mar e Céu. Sol e Terra. Árvores e Pássaros de Fogo. Nascente e Crepúsculo. Vento e Lua.

Conjugo-as. Ando dentro das palavras, a ver se lhes descubro um avesso luminoso. Quero dizer-te, mas tu és tanto. Tu, és mais do que tudo o que eu possa.

Arrisco então, uma frase, ainda que me permaneças intraduzível.

Em que me és estrela a florir numa montanha, prado azul celeste, mar de terra a cheirar a Sol, nascente lunar de pássaros vermelhos que o vento agita na copa crepuscular das árvores.

Ponho as tuas palavras nas palmas das mãos e elas voam.

São borboletas com asas de açucenas, tatuadas com o teu poema.

Ao meu colo, as três folhas amarelas tem saudades das tuas mãos.

A minha boca repete o silêncio mímico dos teus lábios em oração.

Os Deuses param o tempo, enquanto desfolham as borboletas.

Com o teu poema, dourado, nas pontas dos seus dedos, os deuses são mais luz.

Ordenam aos ponteiros do tempo, que recomecem a sua caminhada circular, ao compasso do teu poema com aroma de açucenas.
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Francesca - Em processo de criação II

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Nas mãos de Deus - Em processo de Criação III

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Francesca - Em processo de criação I

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Escrita Criativa I - A alegria de ter pó


Tenho saudades das mãos dela.

Vejo-a passar e fico com a memória cristalina dos seus reflexos.

Quando vim de Paris, ela era ainda pequena e eu tinha medo de me partir.

A família juntava-se à mesa e brindava com outros copos de cristal e tudo nesse tempo era alegria.

Eu, apreciava em segredo os seus lábios com sabor a limão e a forma sagrada com que me segurava, com as duas mãos em concha, em frente ao coração.

E fechava os olhos, com prazer, enquanto eu lhe matava sede, todos os dias com sabores diferentes.

Ás vezes olhava tempos infinitos para mim, como se eu fosse um espelho e sorria enquanto rodopiava comigo, pela sala de jantar.

Com o tempo, fui ficando cada vez mais pequeno para ela, até ficar aqui esquecido para sempre, onde vivo de vê-la passar.

Nunca mais voltei a sentir-lhe a boca.

Sinto-lhe ás vezes, as mãos, a segurar-me, com a delicadeza com se seguram as peças de museu.

Pega em mim, como se eu fosse um brinquedo e passa-me, por dentro e por fora, um pano de veludo que me preserva a transparência e o brilho dourado.

Agora parece que sou kitsch…e já não sirvo para nada, a não ser para a ver.

Ás vezes apetecia-me cair-lhe das mãos.

Ficar um momento aos seus pés, em mil estilhaços.

A eternidade cansa e está cada vez mais longa, aqui nesta prateleira vítrea, onde a vida é uma maldição.

(Exercício 1 "Uma vida de vidro", Escrita Criativa I, Pedro Sena-Lino)

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nuvem



penso em fugir de ti

com isso vem o silêncio

a seguir chegas tu

dás-me a mão

perguntas:

posso fugir contigo?
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Mooji



Quero buscar as palavras que possam ilustrar a minha experiência, da mesma forma que em silêncio pego nos pincéis e pinto o que me vai na alma.

É muito mais fácil pintar que escrever: a pintar, sou em silêncio. Deixam de existir palavras, pensamentos ou sons. É amor a cores, linhas e luz.

Para escrever, preciso pensar em dizer o que vejo, sinto e a forma como vivo um acontecimento, interna e externamente. Criar uma pintura, que não tendo cores, possa ter luz, formas, emoção.

Escrever, com a mesma atitude com que pinto, um mar de sapatos.

Sapatos em vagas e em ondas, flutuando sem os pés dos seus donos. Sapatos em silêncio e pés de veludo deslizando num chão imaculado.

Este mar, é de todas cores, às tiras, fechados, abertos, grandes, pequenos, delicados, rústicos, elegantes, confortáveis, de fada, de trabalhador, de desportista, para fazer longos caminhos e para percorrer distâncias curtas e solenes. Arrumados numa sala e espalhados um pouco pelo caminho até à sala principal, que fica em frente, ao fundo.

No ar, paira um brilho leve que me envolve e o som é dourado e doce.

Pela mão de um homem alto como um árvore, o meu corpo avança, lentamente, por entre a luz e avisto agora um lago morno, sereno de gente; gente de todas as idades, tamanhos, cores, como já os sapatos anunciavam, circundando um púlpito onde está sentado um ser terno como um pai. Vestido de branco.

A ternura emana do seu sorriso, como um perfume de lilases.

O gigante indica onde devo sentar-me: do lado do coração do púlpito, onde tenho de esforçar-me para me reduzir de forma a encaixar num espaço tão mínimo que só acreditando, posso sentar-me lá.

A roda do meu vestido vai acariciando as pessoas, sinto a energia deste lugar e finalmente, sento-me, pequena no chão, sob o olhar atento de Mooji.

Mooji tem uma luz que reporta ao silêncio. Ao silêncio da comoção.

Centenas de olhos, estão focados nele, à espera das suas mãos, do seu colo.

Mooji é cor de chocolate, tem um rosto longo, barba comprida grisalha, olhos amendoados que brilham de ternura e longas rastas pelos ombros.

Todos queremos ouvi-lo, saber o que tem para nos deixar que nos vai marcar para sempre.

É indiscritivel repetir as suas palavras; são redondas, seguras e tudo o que diz ressoa dentro. Vibra.

Mooji diz que fala da sua consciência para a nossa, mas a sensação que tenho é que é de coração para coração, porque o meu estremece de amor e sinto um nó na garganta.

Há momentos que rimos, como as crianças, há momentos em que a comoção é tão forte que choro de alegria.

Em muitos momentos, estive só eu, dentro do meu silêncio azul, a ouvir a sua voz.

A sua voz grave, cristalina, que abraça.

Meditamos em conjunto, entoamos o “Om”.

Voo, flutuo sob o lago de gente.

Sinto agora e sei para sempre, qualquer coisa nova.

Dentro da verdade comum, todos os mestres tem coisas novas para nos ensinar.

Mooji ensinou-me que eu sou vida. Ensinou-me a sua atitude solar.

Estou feliz.

Volto para casa, leve, descalça, apesar dos sapatos.

Com a mesma paz de quando dou a ultima pincelada numa pintura.

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Juno - Em processo de criação

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Minerva - Em processo de criação

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Vénus - Em processo de criação

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Nas mãos de Deus - Em processo de criação II

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Nas mãos de Deus - Em processo de criação I

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Dária

Óleo s/ tela, 60X80cm
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Naiara

Óleo s/ tela, 90X90cm
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Damiana

Óleo s/ papel, 60X70cm
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Lissa

Óleo s/ tela, 60X80cm
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amor,
é o coração que trazes quando  pousas na minha mão,
a textura, a forma, a cor, o som, da nossa nudez,
é a criança que somos quando entrelaçamos a luz das nossas mãos,
és tu dentro do meu coração, a matar-me as saudades,
 do teu corpo.
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